As
obras do artista alemão Quint Buchholz chamam a atenção por misturarem
realidade e fantasia, por vezes desafiando a imaginação de quem as vê. Nascido
em Stolberg, em 1957, Buchholz cresceu em Stuttgart, tendo posteriormente estudado
história da arte, pintura e design gráfico na Academia de Arte de Munique.
Buchholz
é pintor e ilustrador desde 1979, e entre as suas produções destacam-se as
imagens que mostram livros ocupando os mais inusitados espaços, assumindo o
lugar de outros objetos. Por meio dessas obras, Buchholz nos permite pensar
sobre a capacidade dos livros de estimularem a imaginação humana, permitindo a
construção do conhecimento e a obtenção de novos olhares sobre a realidade do
mundo. O artista ainda explora o papel doutrinador que os livros também podem
eventualmente exercer.
Figura 1.: Lob der Bücher (1999), de Quint Buchholz.
É
interessante notar como Buchholz brinca com a capacidade de um livro nos levar
para outros lugares, por meio da imaginação. Em Lob der Bücher (1999), por
exemplo, um homem vestindo apenas um calção de banho corre sobre a neve em uma
paisagem gelada, dirigindo-se ao encontro de um grande livro aberto que ostenta
em suas páginas a imagem de uma praia.
Figura 2.: Junge mit Buch (2013).
Já
em Junge mit Buch (2013), um garoto segura um livro bem próximo dos olhos,
como se o livro fosse um binóculo. Aqui, o artista nos leva à questão: o objeto
ajuda o garoto a ver mais longe ou bloqueia a sua visão? Afinal, os livros
podem não apenas libertar as nossas mentes ou expandir os nossos horizontes. Os
livros também podem cegar os seus leitores quando apresentam doutrinas e
estimulam os fanatismos. É o que vemos, por exemplo, em Lesender Mann (III.),
obra de 2013 na qual um homem tem um livro amarrado ao seu rosto, e as páginas
do livro estão praticamente coladas aos olhos do sujeito, impedindo que ele
veja o mundo ao seu redor.
Figura 3.: Lesender Mann (III.), obra de 2013.
Por
meio dessas e de várias outras obras, Quint Buchholz nos faz pensar na beleza e
nos mistérios que envolvem este fantástico objeto inventado pelo homem: o livro.
As obras de Buchholz nos instigam a uma reflexão sobre as múltiplas facetas dos
livros. Mais do que belas homenagens a tal invenção humana, o que o artista faz
é nos sugerir que os livros não possuem um significado único em si mesmos, mas
possuem um certo valor dependendo das formas como os usamos.
As
obras de Buchholz podem ser vistas no site <http://www.quintbuchholz.de/>.
Vale a pena conferir!
Figura 4.: O artista alemão Quint Buchhholz, em foto
de divulgação no seu site oficial.
(Texto originalmente publicado na Coluna do Nehac do Jornal Correio de Uberlândia, no dia 20 de maio de 2016.)




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